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[Resenha/Crítica]: Paraíso Perdido

“Eu já não consigo mais viver dentro de mim, e viver assim é quase morrer…

Venha me dizer sorrindo que você brincou, e que ainda é meu, só meu o seu amor.”

A letra da música de Márcio Greyck é considerada um hino do brega brasileiro, é uma música que já encheu o coração de muitos. Mas o que é ser brega? São vários os sinônimos. Pode ser aquele de gestos indelicados, ou aquele de mau gosto, ou grosseiro, ou comum, ou melodramático, aquele de sentimento exagerado, e tudo isso é o filme Paraíso Perdido, vidas que se entrelaçam nos sentimentos exacerbados de dores e de amores. Amores que o destino desfez, ou amores que o destino uniu, sem olhar o sexo, sem olhar a cor e sem olhar a barreira preexistente.

O tremendão, Erasmo Carlos, é o dono da boate Paraíso Perdido, e dono da família que se apresentam por lá. Eva, sua filha, está presa e seu pai cuida de seu filho, Imã, que se apresenta travestido de mulher. Ângelo, seu filho, ainda sofre com o sumiço de sua mulher, e sua filha adolescente está grávida. O policial Odair ficará íntimo da família, sendo segurança de Imã.

Se o filme pudesse ser definido por uma cor seriam todas elas. Pois ele abraça todos os níveis que existem de pluralidade, isso sem nunca perder a cadência, o ritmo, aliás, a musicalidade é ponto crucial para os amores inconstantes de Paraíso Perdido. A direção de Zeca Baleiro está ali para alinhavar aqueles amores, uma hora vem com a música de Márcio Greyck, logo depois vem Odair José, depois aparece José Augusto, e mais tarde, Gilliard, Fernando Mendes e Reginaldo Rossi. O novo aparece na música de Johnny Hooker. As músicas são cantadas por Júlio Andrade, Jaloo, Erasmo Carlos e Seu Jorge. E um dos melhores momentos é quando Erasmo e Júlio cantam 120…150…200 Km por hora, música dele (Erasmo) e de Roberto Carlos. São tantas emoções.
Tem-se a impressão que Paraíso Perdido foi feito na calmaria, parece sem ensaio de tão simples e natural como tudo nos é apresentado.

E no meio de tanta gente interessante, Erasmo Carlos e Jaloo são as boas novidades. Erasmo, que desde 1984 não fazia nada no cinema, encarna o homem que quer o bem de todos, ele é a ligação dos personagens, seja na vivência, seja na música que incorpora a aura de protagonismo da história. E Jaloo, em seu primeiro trabalho no cinema. Ele cria grande força quando está travestido, e sua voz, desde já, é uma das melhores revelações dos últimos anos.

Paraíso Perdido pode até não ser um primor de técnica cinematográfica, mas tudo ali é feito com alma, e é isso o que importa, a veracidade das situações. Cada cena se torna importante para o todo, e cada cena pode ser representada por aquelas músicas que são cantaroladas, que são vividas e bem aceitas. A gente sai da sessão querendo viver naquela boate. Não dá pra esquecer.

Nota do CD:

[Rating: 4/5]

Sinopse:Dono da boate Paraíso Perdido, o patriarca José (Erasmo Carlos) faz de tudo para garantir a felicidade de seu clã: os filhos Angelo (Júlio Andrade) e Eva (Hermila Guedes), o filho adotivo Teylor (Seu Jorge) e os netos Celeste (Julia Konrad) e Imã (Jaloo). Unida pela música e por um amor incondicional, a excêntrica família encontra forças para lidar com seus traumas cantando clássicos da música popular romântica e atrai a curiosidade do misterioso Odair (Lee Taylor), um policial que cuida da mãe surda, uma ex-cantora (Malu Galli).

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Título original: Paraíso Perdido
Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama/Musical
Estreia: 31 de Maio de 2018
Duração: 110 minutos
Classificação: 16 anos
Direção: Monique Gardenberg
Roteiro: Monique Gardenberg
Elenco: Erasmo Carlos, Júlio Andrade, Hermila Guedes, Lee Taylor, Julia Konrad, Marjorie Estiano, Seu Jorge, Malu Galli, Humberto Carrão, Felipe Abib, Celso Frateschi, Jaloo, Nicole Puzzi.
Distribuição: Vitrine Filmes

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Categoria: Detalhando, Drama, Em Cartaz, Musical, Nacional, Resenhas de Filmes, Vavá Pereira

Sobre o autor ()

Um publicitário que ama os filmes desde que nasceu. De Closer a O Senhor dos Anéis, de Uma Linda Mulher a O Poderoso Chefão. Sim, eu amo Julia Roberts! Gosto de quem gosta dos filmes que gosto, mas gosto mais ainda de quem não gosta, pois uma boa discussão não faz mal a ninguém.

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