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[Resenha/Crítica]: O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation,2016)

onascimento3Um filme que reflete tempos atuais.

Nate Parker (Sem Escalas) é ator, diretor, produtor, escritor e músico. Há 17 anos foi acusado de estupro, juntamente com o roteirista Jean McGianni. Parker foi absolvido do crime, McGianni, não. Os dois alegaram ser vítimas de racismo. A mulher que dizia ser vítima de estupro se suicidou em 2012. Pulamos para 2016. O filme O Nascimento de Uma Nação, de Nate Parker e McGianni, foi incensado no Festival de Sundance e “era” um dos grandes favoritos para a premiação mais famosa do planeta, o Oscar, mas que sofre de “má publicidade” por causa do crime de tempos atrás. A vida pessoal do artista pode influenciar na obra realizada? O filme se torna menor? A arte pode ser desprezada? Os diretores Roman Polanski (O Deus da Carnificina (Carnage)) e Woody Allen (Café Society,Homem Irracional) também passaram por dificuldades na arte de fazer cinema, por causa de suas vidas íntimas. Polanski, em 1977, foi acusado de abuso sexual, assumiu o erro, ficou preso por pouco mais de um mês e até hoje não pode entrar em território norte-americano. Allen, em 1997, se casou com Soon Yi, filha adotiva de sua ex-mulher, Mia Farrow. Após a separação, Mia o acusou de molestar outra filha adotiva. Psicólogos que cuidavam do caso afirmaram que a garota não sofreu qualquer tipo de abuso. Polanski e Allen estão com a carreira cinematográfica cada vez melhor.

onascimento1Nat Turner (1800-1831) foi um escravo que viveu na Virginia, Estados Unidos, e liderou uma rebelião de escravos, causando mortes de negros e brancos. Depois disso os negros sofreram ainda mais, perdendo o direito de votar, estudar e terem armas. As reuniões religiosas ou não só eram permitidas se houvesse pessoas brancas. Nat lutou não só por sua causa, mas por uma desigualdade que nunca deveria ter existido.

O Nascimento de Uma Nação é baseado nos acontecimentos da vida de Nat Turner, em 1831. E, já pelo apelo do grito de liberdade dos excluídos, o filme se torna urgente, imprescindível e obrigatório para todos os que se compadecem ou lutam pela igualdade social, pelo fim do racismo e pela independência para todos. Este é o primeiro filme de Nate Parker que faz as vezes de diretor, produtor, roteirista e protagonista. Nate é a alma total do filme. Nate faz um FILMÃO, com letras maiúsculas. O filme começa com o pequeno Nat, desde pequeno aprendeu a ler, tinha ótima oratória, se tornando um pregador da palavra de Deus. Ele se torna adulto e sua vida se dá trabalhando nos campos de algodão, por mais que tenha a amizade de seus senhores, ele é um escravo. O seu “amigo” e senhor Sam percebe que pode ganhar uns trocados com suas pregações para acalmar os ânimos de escravos que se rebelam com seus patrões. Nada melhor que um negro falar para outro negro que precisam ser fiéis aos seus senhores. Assim, Nat o faz. E cada vez mais percebe o tanto que o seu povo sofre, sendo massacrado e humilhado, não existindo alívio ou resquício de bondade vinda dos brancos. Ali o negro está em estado de sofrimento constante. Nat está com a maior arma que poderia ter – a Bíblia. A fé sempre foi muito respeitada e os negros tinham fé. Se o pregador, com convicção, exaltar o que deve ser feito, assim acontecerá. A religião com o poder da oratória faz de Nat um homem que clama por mudanças e, para isso acontecer, haverá sofrimento e não perdão. A fé move pessoas. O ressentimento ainda mais.

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O Nascimento de Uma Nação não manda recado, ele faz. É um filme que engrena aos poucos. E a ideia é essa. Vem devagarinho até chegar à sua maior catarse. Ele é literal e expositivo. E talvez esses sejam os seus maiores erros e maiores acertos. Para mim tem mais acertos. A violência é sentida e não desvirtuada. O poder da palavra é ouvido e realizado. A crueldade está aos nossos olhos. A violência e a crueldade visual são palpáveis, causando agonia e constrangimento. Agonia por ser tão realista e constrangimento por saber que aquilo é “real” e vivido por muitos, com resquícios que estão inseridos nos tempos atuais. A trilha sonora, com “Negro Spiritual” (canção de inspiração de escravos negros) faz toda a diferença para os sentimentos que já estão à flor da pele. A música, de grande poder, nos transporta para aquela vivência que presenciamos, fazendo-nos cúmplices de um momento que não se apaga. Com certos esquematismos e exageros em sua exposição com final apressado, nada consegue tirar a força que é O Nascimento de Uma Nação. Uma nação obediente que cansou, gritou por liberdade e se faz presente. Nate Parker não pede licença para mostrar o escárnio, e ele vem despido de qualquer glamour.

Nota do CD:

[Rating: 4.5/5]

Sinopse:O filme começa com o pequeno Nat, desde pequeno aprendeu a ler, tinha ótima oratória, se tornando um pregador da palavra de Deus. Ele se torna adulto e sua vida se dá trabalhando nos campos de algodão, por mais que tenha a amizade de seus senhores, ele é um escravo. O seu “amigo” e senhor Sam percebe que pode ganhar uns trocados com suas pregações para acalmar os ânimos de escravos que se rebelam com seus patrões. A religião com o poder da oratória faz de Nat um homem que clama por mudanças e, para isso acontecer, haverá sofrimento e não perdão.

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Nate Parker
Roteiro: Nate Parker, Jean McGianni Celestin
Elenco: Nate Parker, Armie Hammer, Aunjanue Ellis, Mark Boone Junior, Penelope Ann Miller,  William Mark McCullough
Fotografia: Elliot Davis
Montagem: Steven Rosenblum
Trilha Sonora: Henry Jackman
Duração: 120 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido

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Categoria: Detalhando, Drama, Em Cartaz, Resenhas de Filmes, Vavá Pereira

Sobre o autor ()

Um publicitário que ama os filmes desde que nasceu. De Closer a O Senhor dos Anéis, de Uma Linda Mulher a O Poderoso Chefão. Sim, eu amo Julia Roberts! Gosto de quem gosta dos filmes que gosto, mas gosto mais ainda de quem não gosta, pois uma boa discussão não faz mal a ninguém.

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