The Night Of – Primeira Temporada

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Possíveis spoilers à vista!

Quem leu a resenha das primeiras impressões sobre The Night Of, percebeu o quanto a minissérie havia empolgado este espectador que vos escreve. Enquanto eu redigia aquele texto, metade do enredo já havia se desenrolado, meu nível de ansiedade estava maior que o meu açúcar e colesterol juntos, apesar de todos os snacks e refris que eu já havia consumido enquanto assistia. Alguns desdobramentos que sucederam à publicação daquela resenha, não alteraram minhas impressões sobre o espetáculo de direção que a minissérie nos ofertou, mas algumas ressalvas precisam ser feitas.

Todas as manifestações artísticas vendem algo e, no caso de filmes e séries,  o produto ofertado é uma boa história. The Night Of vendeu bem seu “peixe”, principalmente nos primeiros episódios; convenceu os espectadores a “comprar” o dilema de Naz, ainda que nem ele e nem nós soubéssemos algo de concreto sobre sua inocência ou culpa; instigou possibilidades para solucionar o assassinato de Andrea (Sofia Black D’Elia), e nos brindou com personagens realistas e muito peculiares. Quando se vende um produto tão bem assim, a entrega do “prometido” tem que valer muito a pena e, apesar de The Night Of ser uma grata surpresa desse ano, o roteiro me incomodou levemente nos rumos das conclusões e, também, no destino de algumas personagens.

Pontos superpositivos da série, a exemplo do que já foi visto em The Wire, pelas mãos do próprio Richard Price, são: a extrema proximidade de suas personagens com a realidade e como elas se transformam ao longo do tempo e por conseqüência dos fatos. Impressionante como o Jack Stone do John Turturro (Amante a Domicílio) se desnuda, mérito deste ator por sua versatilidade, afinco com as nuances de personalidade do Stone e seu notório comprometimento com o papel que lhe foi dado (de presente).

O réu Naz, muito bem desenvolvido por Rizwan Ahmed (Jason Bourne, Centurião), sofre uma das maiores mudanças que eu já vi um ator efetuar em  cena, numa (des)construção irretocável de identidade e, sobretudo, princípios, tudo isso fruto de um sistema criminal bruto e impassível. Tudo o que se refere à sua prisão e julgamento resvala em sua família e em seus compatriotas de uma maneira racista e violenta, daquele jeito bem peculiar que já conhecemos a respeito do comportamento social estadunidense.

Infelizmente, o mesmo não ocorre para outros personagens como, por exemplo, a cativante Chandra (muito bem defendida por Amara Karan). Seu destino, nos episódios finais, foi não menos que frustrante, tamanho o potencial que o enredo lhe proporcionava, dando-lhe um espaço cada vez maior à medida que o julgamento de Naz se aproximava, para tirá-la de foco no desfecho da trama e deixando os holofotes para Jack Stone. É bem verdade que suas atitudes a levaram para este beco sem saída, mas a personagem merecia um pouco mais do que fora lhe destinado.

Após uma hora e vinte minutos de duração, The Night Of nos entregou um produto final bem acabado, sem muitas surpresas (o mesmo clima de dúvida suspenso no ar), mas fiel à crueza e ao realismo que nos vendeu durante sua exibição no horário nobre da HBO. A despeito de algumas soluções não muito bem esclarecidas para o crime que transformou a vida de Naz, a série não perdeu seu ritmo tenso, sua qualidade acima da média e seu furor em denunciar as nuances frias e categóricas do sistema penal norte-americano e suas conseqüências.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o produtor executivo, diretor e roteirista Steven Zaillian disse que está pensando em produzir novos episódios. Apesar da produtora ter pensado em The Night Of como uma minissérie única e com um desfecho pré-definido, existe uma especulação muito grande que haja novas temporadas porém pouquíssima probabilidade para se continuar a história: “Estamos pensando sobre isso e, se surgir algo que julguemos digno de ser feito, nós faremos. (The Night Of) foi pensada como um evento único… Dito isto, há maneiras de pegar o que a série passa, sobre o que ela é, e fazer uma nova temporada com um novo assunto.”

Até lá, já sabemos que em breve veremos Turturro em Hands of Stone, Ahmed em Rogue One: Uma História de Star Wars, mas dificilmente esqueceremos Nasir ‘Naz’ Khan e Jack Stone, pois acredito que sempre terão seus lugares de destaque no que há de melhor no universo do entretenimento atual.

Nota do CD:
[Rating: 4/5]

Trailer do Seriado:

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Categoria: Resenhas de Seriados, Teco Sodré

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