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[Resenha/Crítica]: Aquarius

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“Hoje, Trago em meu corpo as marcas do meu tempo”…  O trecho da música “Hoje”, interpretada por Taiguara, é a primeira coisa que Kleber Mendonça Filho (Também diretor do aclamado O Som Ao Redor), deseja que seu espectador escute. A sabedoria da utilização da trilha sonora, por sinal, é um dos pontos mais fortes de Aquarius, pois o diretor joga em cena músicas marcantes da história brasileira e utiliza-se de suas estrofes para transmitir os sentimentos e pensamentos dos personagens. Por exemplo, é impossível não ler a estrofe citada acima e não remeter a protagonista Clara, uma sexagenária, jornalista e crítica de música, aposentada, que trava uma luta constante contra a construtora Bonfim, que tenta a todo custo comprar o seu apartamento no Edifício Aquarius, localizado na praia de Boa Viagem, no Recife. A empresa já obteve êxito na compra de todos os apartamentos, porém não consegue iniciar a construção de um novo e moderno prédio, por conta do entrave com Clara, que não abre mão de sua morada.

Aquarius não demonstra pressa na apresentação e desenvolvimento de sua protagonista. O roteiro faz questão de voltar no tempo para mostrar o aniversário de uma tia, cujo a personalidade lhe influencia no futuro ou até mesmo para retratar o momento da luta contra o câncer de mama, cuja a retirada de um dos seios é uma das marcas que carrega consigo. No presente, somos apresentados a seus gostos peculiares, por ainda ouvir vinil, admirar as músicas de seu tempo e manter uma rotina pacata de dar um mergulho na praia, conversar com o salva-vidas, considerar sua empregada doméstica uma amiga, ao ponto de estar presente em sua festa de aniversário e sua teimosia para manter o estilo de vida que escolheu para si, na casa em que cresceu e que criou seus filhos, independente de qualquer proposta financeira. Dinheiro para ela não é problema e nem mesmo ambição.

É na rotina de Clara que enxergamos diversas críticas sociais. Em Aquarius, todas são inseridas com extrema simplicidade e por se tratarem de situações tão rotineiras na vida do espectador, algumas terminam passando despercebidas ou não causando tanto impacto na hora, porém um pouquinho de reflexão basta para o entendimento do quanto elas são fortes e interessantes. Alguns exemplos: Mídia despreparada, que coleta, de entrevistas, apenas frases desconexas para atrair polêmica e público, o nepotismo, oferecendo aos parentes e familiares posições de destaque dentro das organizações, mesmo sem capacidade ou merecimento e, até mesmo, a relação entre pais e filhos, que apesar de todo amor e reconhecimento, também gira em torno de interesses próprios e financeiros.

Muitas outras são apresentadas, como os efeitos da separação na rotina da vida de um bebê, a dificuldade de um filho gay em inserir o seu namorado no ambiente familiar, as novas relações iniciadas através de redes sociais, mas nenhuma delas é mais interessante do que a guerra particular travada com a construtora, que visa a demolição do Edifico Aquarius. Os diálogos entre Diego, o jovem que é responsável pela construção do novo prédio, e de Clara são muito interessantes. Como ela diz: “Você faz o tipo Passivo agressivo”. O jovem quer a todo custo obter sucesso, estudou no exterior, se considera preparado para assumir um grande negócio e não aceita estar prejudicado por conta uma idosa, que não quer sair, do que ele considera ser, um edifício fantasma. Apesar de soar amigo e soar educado, Diego faz questão de complicar a vida de Clara e promove situações para lhe irritar, para lhe vencer pelo cansaço, porém a teimosia dela cria um ambiente de tensão, que se arrasta ao longo da produção e ganha contornos espetaculares em seu desfecho.

Aliás, ponto para a dupla de atores. Humberto Carrão entrega uma atuação majestosa, sendo cínico,  mau caráter e ao mesmo tempo educado. Sendo agressivo, sem parecer em alguns momentos e se fazendo de sonso sempre que preciso. Os olhos do ator no embate final é digno de aplausos. Um leve olhar para o outro lado da mesa de negociões e percebe-se a fúria de quem deseja abraçar o mundo. Sônia Braga está impecável! Cada detalhe da face enriquece sua, dificílima, personagem. A atriz consegue ser sensual, segura, vibrante e marcante em todas as cenas. A entrega dela é algo que nos faz amar o cinema. Vemos uma atriz focada, obstinada, mesmo depois de uma carreira já consolidada. Os traumas, os pensamentos são todos muito bem transmitidos, o espectador se conecta com ela, e mesmo com toda a teimosia, entende seus motivos e reflete sobre como se portaria se estivesse na mesma situação. Uma pena não ter sido premiada em Cannes.

A verdade é que, antes mesmo de chegar no Brasil, Aquarius1463498064_139719_1463498423_noticia_normaldeu o que falar. Primeiro por ter sido selecionado entre 21 longas que disputariam a Palma de Ouro no Festival de Cannes, algo que não ocorria com um filme 100% brasileiro desde 2008, quando Linha de Passe também conseguiu esse feito.  E segundo por todo o envolvimento político dos realizadores, que aproveitaram o tapete vermelho do evento para uma manifestação contra o processo de Impeachment que ocorria, e ainda está em andamento, no Brasil. Outra polêmica é o fato do filme ter obtido, desnecessariamente, a classificação indicativa de 18 anos, algo que está sendo visto, pelos realizadores, como uma retaliação ao protesto feito na França. Kleber Mendonça Filho chegou a se pronunciar sobre o assunto e disse que tudo isso só está servindo para aumentar o marketing em torno da película.

Outra verdade é que, não é muito difícil, associar Aquarius como uma grande metáfora do Brasil. Corrupto, impulsivo e tratando a tudo e a todos como descartáveis. Incrível a crítica do cineasta Kleber Mendonça Filho, que dirige sua obra com cuidado minucioso, investindo nos detalhes e na situações rotineiras. Temos um grande nome para observar e que a cada ano que passa se consolida ainda mais como representante brasileiro mundo afora. Impossível não sair da sessão feliz por saber que nosso país é capaz de uma película tão incrível. Temo que, as mais de duas horas de duração, afaste o público e lhes digo que o tempo passa voando.

Nota do CD:
[Rating: 5/5]

Sinopse:
Clara (Sonia Braga) vive sozinha num apartamento à beira-mar do prédio Aquarius. Ela já tem uma vida estabilizada como crítica de música e como mãe de três filhos. Clara se recuperou de um câncer e o que ninguém sabe é que ela tem o poder de viajar no tempo.

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Título Original: Aquarius
Título Brasil: Aquarius
Gênero: Drama
Direção: Kleber Mendonça Filho
Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Buda Lira, Carla Ribas, Daniel Porpino, Fernando Teixeira, Humberto Carrão, Irandhir Santos, Julia Bernat, Maeve Jinkings, Paula De Renor, Pedro Queiroz, Rubens Santos, Sonia Braga, Thaia Perez
Produção: Emilie Lesclaux, Michel Merkt, Saïd Ben Saïd
Fotografia: Fabrício Tadeu, Pedro Sotero
Duração: 142 min.
Ano: 2016
País: Brasil / França
Cor: Colorido
Estreia: 01/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Vitrine Filmes
Estúdio: Cinemascópio Produções / SBS Productions

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Categoria: Detalhando, Drama, Em Cartaz, Resenhas de Filmes, Tiago Britto

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Comentários (1)

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  1. Paulo disse:

    FILME COM ORÇAMENTO DE 3,4 MILHÕES FINANCIADO PELO BNDES E POR IMPOSTO DE EMPRESAS QUE AO INVÉS DE REPASSAREM À UNIÃO REPASSAM AO FILME. OU SEJA, VOCÊ QUE BANCOU O FILME. AGORA TE PERGUNTO, UM FILME RODADO EM LOCAÇÕES TÃO POBRES E ATORES DECADENTES CUSTAR 3,4 MILHÕES? NÃO É ATOA QUE PROTESTAM CONTRA O GOVERNO AUSTERO DE TEMER QUE TENTA TIRAR O PAÍS DO BURACO CAUSADO PELO PT…

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