Resenha de livro: Estrela Solitária

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Se me perguntassem: “Quem jogou mais Pelé ou Garrincha?” – Minha resposta seria óbvia: – Pelé; entretanto……se a questão fosse: “Quem fez mais o futebol se transformar em arte, alegria e paixão? – Minha resposta seria outra: – “Garrincha”

Como um apaixonado por futebol tenho a tristeza de não ter visto Garrincha em campo. Só tive acesso aos vídeos históricos e pelo pouco que vi me encantei pelo estilo moleque, irreverente, irresponsável e ao mesmo tempo vencedor de Mané (apelido do jogador) em campo.

Sua biografia “Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha”, escrita pelo sempre competente Ruy Castro foi recheada de problemas judiciais, críticas e confusão. Porém, eu como leitor e fã do ex-jogador da seleção brasileira só posso elogiar a obra.

Enaltecer pela coragem do autor de não ficar preso apenas aos bons momentos do ex-parceiro de Pelé. Esta obra de Ruy Castro, que fez mais de 500 entrevistas com 170 pessoas, simplesmente emociona por conhecermos a vida de um dos personagens mais queridos da história do Brasil. Mas, ao mesmo tempo, um ser humano cheio de problemas que foi derrotado pelo álcool

O jogador Garrincha fez o mundo brincar, rir e vencer dentro das quatro linhas. Agora ele fará você chorar ao terminar de ler “Estrela solitária – Um brasileiro chamado Garrincha”. A obra narra, detalhadamente, a história de um semideus adorado por uma companheira e por um povo, mas que acabou destruído por um inimigo implacável. Uma leitura tão saborosa e impactante que podemos terminar a obra no tempo de uma partida de futebol.

É uma biografia cheia de revelações, contentamentos e muita dor. Obrigatória para os brasileiros de hoje, que só conhecem o seu mito; saborosa para os saudosistas que lembraram que com Pelé e Garrincha em campo o Brasil não perdeu um único jogo. Não importa se você aprecia ou não o esporte mais popular do Brasil. Se o seu coração tiver alma, emoção e sentimento….conheça a história do cidadão mais famoso da pequena e gigante cidade de Pau Grande.

Somente um gênio como Carlos Drummond de Andrade poderia definir, poeticamente Mané:

Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.

Categoria: Box-Colunas, Livraria Detalhada, Renato Alves

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