[Resenha/Crítica]: Versões de um Crime

Os filmes “de tribunal”, como muitos gostam de classificar, têm representantes de peso ao longo da história do cinema. Podemos citar vários títulos que se destacam por construir uma narrativa tão envolvente, com direção apurada, roteiros perfeitos e onde atores entregam verdadeiras pérolas em atuação. Não só isto, o fator surpresa, aquele final totalmente inesperado ou situações que mudam toda a nossa percepção da obra são bastante admirados também.

Podemos encontrar exemplos dignos de mérito na filmografia de Sidney Lumet (O Veredicto e o aclamadíssimo 12 Homens e Uma Sentença), Otto Preminger (Anatomia de um Crime), Billy Wilder (Testemunha de Acusação) só para ficar em alguns. E, de vez em quando somos brindados com alguma obra moderna que nos surpreende positivamente por ter elementos como os citados ou por nos surpreender com algo notoriamente novo. Infelizmente não é o caso do longa que vamos falar.

Versões de Um Crime”, que estreia em 09 de fevereiro em circuito nacional, é dirigido por Courtney Hunt. Quando lembramos que ela começou sua carreira com o ótimo “Rio Congelado” que rendeu uma justíssima indicação ao Oscar para a Atriz Melissa Leo em 2008, é normal que estejamos empolgados para ver seus próximos trabalhos. Porém, com este novo longa , é de se pensar que algo não anda bem no trabalho de Hunt. Em contrapartida, o filme tem no elenco Keanu Reeves (Matrix) e Renée Zellweger (O Diário de Bridget Jones), ambos famosos por ter atuado em produções de êxito.

A história se passa quase totalmente dentro de um tribunal e, ao longo da uma hora e meia de duração, alguns flashbacks envolvendo o julgamento são lançados para esclarecer fatos. Reeves atua como um Advogado que vai defender um jovem (Gabriel Basso) pelo assassinato de seu Pai (Jim Belushi). A situação está praticamente sem solução, uma vez que o jovem confessou ter sido o assassino e, desde que o fato ocorreu, não fala sequer uma palavra. Nem com seu advogado, tampouco com sua Mãe (Zellweger). Ou seja, entende-se que ao longo da narrativa vamos ter acesso ao que realmente ocorreu e identificar se o júri considerará o réu culpado (como se pronunciou) ou se o advogado da defesa terá como atenuar sua situação.

É garantido que alguns fatos vão surgir, reviravoltas vão ocorrer e nem tudo é o que parece. Ótimo, certo? Novamente, infelizmente não. Pois não vemos sequer uma atuação digna de nota. Difícil distinguir quem está menos interessante em cena: Keanu Reeves ou Renée Zelweger. Até o elenco de apoio, que conta com uma atriz em ascensão e que tem chamado a atenção para seu talento (a ótima Gugu Mbatha-Raw) é totalmente subaproveitada. A diretora tenta nos deixar ligados em seu filme com alguns desdobramentos de modo falho e sem graça. A trama segue como um jogo de cartas marcadas totalmente previsível. Não é de se assustar que o resultado final não passe pela mente de várias pessoas muito antes dele ser finalmente apresentado.

Cabe a nós decidir se estamos dispostos a nos entregar à esta empreitada ou não. Difícil resposta? Creio que não.

Nota do CD:
★½☆☆☆

Sinopse:
Quando um adolescente é acusado de assassinar o pai rico, um advogado (Keanu Reeves) é encarregado de defendê-lo no tribunal e revelar a verdade por trás do crime. À medida que investiga, descobre que a mãe do garoto (Renée Zellweger) está ocultando diversos fatos essenciais ao caso.

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Título Original: The Whole Truth
Direção: Courtney Hunt
Elenco: Keanu Reeves, Renée Zelweger, Gugu Mbatha-Raw, Jim Belushi, Gabriel Basso
Roteirista: Nicholas Kazan
Produtor: Anthony Bregman
Produtor: Kevin Scott Frakes
Produtor Executivo: Richard Suckle
Produtor Executivo: Charles Roven
Distribuição no Brasil: Playarte Pictures

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Categoria: André Leporati, Colunistas, Detalhando, Em Cartaz, Estreias da Semana, Gênero, Resenhas de Filmes, Suspense

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