[Resenha/Crítica]: A Chegada – Crítica 2

achegada3

Denis Villeneuve cresce e aparece.

Denis Villeneuve é o nome do homem. Denis Villeneuve quer provar que pode ser um dos maiores realizadores do cinema mundial. Denis Villeneuve se consagra como um dos maiores contadores de história. São muitos adjetivos que servem para o jovem senhor canadense, de 49 anos. Ele sabe como conduzir e direcionar o espectador para lados cada vez mais impactantes e sempre com histórias diferentes. Sua carreira começa no ano de 1998, trabalhando em seu país de origem, com o filme 32 de Agosto na Terra. Depois vieram Redemoinho, Polytechnique e Incêndios, esse último o catapultou para o mundo, sendo indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois disso foi para Hollywood e continuou sua carreira com grandes estrelas do mainstream cinematográfico mundial. Vieram Os Suspeitos, o maravilhoso O Homem Duplicado e o nem tão legal Sicário. Agora ele chega contando uma história sobre invasão alienígena e faz cinemão de gente grande.

Nos momentos iniciais do filme somos apresentados à Louise, que vive com sua pequena filha, sendo acometida por uma doença incurável e vindo a falecer. Louise é professora e doutora, a sala de aula está vazia, fatos estranhos acontecem em escala mundial. Objetos surgem com algumas criaturas em 12 lugares diferentes do planeta e, Louise, junto com o militar Ian, são chamados para codificar os contatos que foram feitos com grandes autoridades. Quem são e o que querem, são as principais perguntas a serem feitas. Mas o contato não será nada fácil. Através dos novos acontecimentos, Louise perceberá coisas relativas à sua vida.

achegada1Denis Villeneuve concebe tudo rapidamente, sem espaços para divagações, tudo baseado na emoção de sua atriz principal, Amy Adams (Batman vs. Superman). A atriz de forma sucinta, de poucos gestos e exalando afeto e contato que não estamos acostumados a perceber. Mesmo sem entender os códigos, passamos a acreditar em tudo aquilo, por causa de sua personagem que, em estado lapidado, nos passa a certeza de toda verdade que possa estar acontecendo e suas descobertas são as nossas descobertas. Amy Adams, tal qual Sandra Bullock, em Gravidade, busca a sobrevivência que ainda pode estar ao seu alcance. É o ser humano sendo mais humano. Amy Adams é a nossa Sigourney Weaver de Aliens da década de 80, em seu estado mais amoroso que se possa imaginar. Aqui o blockbuster não é arrasa quarteirão, aqui ele arrasa corações, fazendo o abatimento necessário para que possamos estar em êxtase, um êxtase suave de descobertas, com momentos tensos, mas tudo centrado e comedido, o mais importante é o crescimento do entendimento e da comoção. O som do filme, desde já, é um dos melhores do ano, junto com uma das trilhas sonoras mais perfeitas de todos os tempos e que lembraremos por muito tempo, fazendo os corações baterem com mais intensidade e de um jeito que nos acalenta no melhor colo que pudermos ter. O roteiro de Eric Heisserer é feito de sutilezas, tudo é construído sem pressa, em que o centro é na estrutura familiar, fazendo um duo, perfeitamente estruturado, nas memórias da protagonista, refletindo no tempo atual, programando tempo e espaço como se fossem únicos, com uma montagem e uma edição que ajuda e engana o nosso entendimento, concebendo uma narrativa requintada, pontual e emocional, sem deixar de lado os sons, que são catalizadores de emoções, ora de pavor, ora de descoberta e ora de salvação. E ainda tem-se um contato como se fosse quase uma obra de arte de grandes pintores surrealistas. O mistério vai crescendo e sendo dissolvido gradativamente. É comunicando que se aprende e se conhece. A comunicação sendo a cura para todos os males. Filme lindo em todos os níveis. Prevejo grandes e boas premiações para A Chegada, com chutes nas categorias de diretor, filme, atriz, som, edição, montagem, roteiro, fotografia e trilha sonora.

Denis Villeneuve provoca, instiga e acolhe. Ele faz cinema como qualquer Spielberg, que sempre emociona ou Scorsese, que nunca faz filme mediano, ou até um Malick, com imagens quase estáticas e de grandes significados, de silêncios ou não. Villeneuve vem trilhando uma carreira que muda a cada filme, e isso é ótimo, mostra que é um diretor que não tem medo de desafios. Ele cresce e aparece e ano que vem chegará com a continuação de um filme de 1982, Blade Runner. Basta ter seu nome envolvido que já causa alvoroço. Denis Villeneuve é diretor em estado de crescimento e sabe como nos pegar em nosso mais íntimo ser.

Nota do CD:

[Rating: 5/5]

Sinopse:Louise, uma linguista especializada, é chamada para decodificar sinais alienígenas deixados por extraterrestres na Terra e descobrir se são ou não de uma ameaça. As respostas, no entanto, podem colocar em risco a vida de Louise e a existência da humanidade.

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Eric Heisserer
Elenco: Abigail Pniowsky, Amy Adams, Anana Rydvald, Andrew Shaver, Forest Whitaker, Jeremy Renner, Joe Cobden, Julia Scarlett Dan, Julian Casey, Larry Day, Leisa Reid, Mark O’Brien, Max Walker, Michael Stuhlbarg, Nathaly Thibault, Pat Kiely, Philippe Hartmann, Russell Yuen, Ruth Chiang, Tzi Ma
Produção: Aaron Ryder, Dan Levine, David Linde, Karen Lunder, Shawn Levy
Fotografia: Bradford Young
Montador: Joe Walker
Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson
Duração: 116 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 09/02/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony
Estúdio: 21 Laps Entertainment / FilmNation Entertainment / Lava Bear Films

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Categoria: Detalhando, Drama, Em Cartaz, Ficção, Resenhas de Filmes, Suspense, Vavá Pereira

Sobre o autor ()

Um publicitário que ama os filmes desde que nasceu. De Closer a O Senhor dos Anéis, de Uma Linda Mulher a O Poderoso Chefão. Sim, eu amo Julia Roberts! Gosto de quem gosta dos filmes que gosto, mas gosto mais ainda de quem não gosta, pois uma boa discussão não faz mal a ninguém.

Comentários (1)

Trackback URL | Comentários de RSS Feed

  1. Thiago disse:

    Aguardando a crítica de Silvano sobre o filme Como eu era antes de você.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *