[Resenha/Crítica]: Negócio das Arábias

ngoecio

Entra em cartaz nessa semana nos cinemas brasileiros, com algum atraso, o filme Negócio das Arábias, projeto estrelado por Tom Hanks (Capitão Phillips, Tão Forte, Tão Perto) . A produção dirigida e roteirizada pelo alemão Tom Tykwer (A Viagem), foi lançada nos Estados Unidos em abril desse ano e depois de uma recepção bem fraca por lá, só foi chegar agora nos solos tupiniquins. O longa é baseado no livro, de relativo sucesso, escrito por Dave Eggers (Terra Prometida), escritor que até tem suas passagens em Hollywood produzindo e adaptando alguns roteiros.

Em Negócio das Arábias, Tom Hanks interpreta Alan, o executivo de uma companhia de TI que vai para a Arábia Saudita tentar vender um sistema de comunicação que utiliza hologramas. Ele está tentando reconstruir sua vida depois do divórcio e de ter as suas finanças abaladas pelo fim da antiga companhia que representava. Ao longo de sua trajetória, Alan vai sofrendo para se adaptar as idiossincrasias do novo país, ao mesmo tempo em que tem de confrontar os seus medos e encarar a sua nova realidade.

Fui assistir Negócio das Arábias sem grandes expectativas, pois geralmente quando um filme demora tanto tempo para fazer a trajetória Hollywood-Brasil este é um indicativo de que a obra teve alguns problemas na sua concepção. Infelizmente ao longo da projeção pude confirmar que meus temores tinha fundamento, o filme peca muito durante a sua construção, sendo sonolento e desinteressante boa parte do tempo. O primeiro problema é que o espectador começa a companhar a jornada de Alan quando este chega na Arábia, mas sem uma apresentação prévia e sem explicações porque ele foi parar nesse país. Depois, ao longo dos 45 minutos inciais, o filme tenta contextualizar a sua vida pregressa com o uso de flashbacks curtos, mas até o espectador ter uma maior noção da situação de vida dele, a sensação de desconforto que a película passa supera o fator diversão/entretenimento. Além disso, o longa tem sérios problemas com aproveitamento dos personagens secundários visto que estes não tem uma conexão com o protagonista, não servem como alivio cômico e não tem o desenvolvimento de suas questões dramáticas acontecendo ao longo da projeção.

Por esse conjunto negativo Negócio das Arábias termina não sendo uma boa pedida para quem quer ir aos cinemas assistir a um bom filme com Tom Hanks ou procurar um filme de drama com qualidade. A película tinha algum potencial, que seria melhor aproveitado se conseguisse desenvolver esse choque entre as realidades ocidental x árabe – uma dicotomia interessante – em um argumento cômico divertido para o espectador, algo que claramente não acontece. No final das contas a película peca porque não consegue ser engraçada e nem desenvolver as suas questões dramáticas, termina sendo uma produção híbrida que não deve agradar nem a gregos ou troianos.

Nota do CD:
★½☆☆☆

Sinopse: Depois de ter falido, um homem de negócios tenta se recuperar durante da recessão dos Estados Unidos ao viajar para Arábia Saudita, na tentativa de vender sua ideia genial para um poderoso monarca.

Trailer do Filme:

Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Direção: Tom Tykwer
Roteiro: Tom Tykwer
Elenco: Alexander Black, Amira El Sayed, Atheer Adel, Ben Whishaw, David Menkin, Dhaffer L’Abidine, Jane Perry, Janis Ahern, Jay Abdo, Khalid Laith, Lewis Rainer, Rolf Saxon, Sarita Choudhury, Sidse Babett Knudsen, Tom Hanks, Tom Skerritt, Tracey Fairaway, Waleed Elgadi
Produção: Arcadiy Golubovich, Gary Goetzman, Stefan Arndt, Tim O’Hair, Uwe Schott
Fotografia: Frank Griebe
Montador: Alexander Berner
Trilha Sonora: Johnny Klimek, Tom Tykwer
Duração: 98 min.
Ano: 2016
País: Alemanha / Estados Unidos / Reino Unido
Cor: Colorido
Estreia: 04/08/2016 (Brasil)
Distribuidora: Mares Filmes
Estúdio: 22h22 / Fábrica de Cine / Playtone / Primeridian Entertainment / X-Filme Creative Pool
Classificação: 14 anos

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Categoria: Detalhando, Drama, Em Cartaz, Ivanildo Pereira, Resenhas de Filmes

Sobre o autor ()

Um dos fundadores do Cinema Detalhado, sou psicólogo de formação e cinéfilo por opção. Assisto a qualquer tipo de filme, mas sou muito mais criterioso para recomenda-los.

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